Somos todos mercenários

Somos todos mercenários ?

Outro dia vi um grupo de pessoas discutindo sobre a vida acadêmica. Tentavam chegar a um consenso sobre se ela é ou não o melhor caminho para o sucesso. Reclamavam, claro, do salário de artistas e jogadores de futebol. Aparentemente, é injusto que tais algozes da sociedade recebam tão bem enquanto pessoas de bem que estudaram suas vidas inteiras, como médicos, policiais, professores e funcionários públicos, não o fazem.

Percebam, caros compatriotas, que o ponto aqui é exatamente a definição de sucesso. O que pude notar é que, para a maioria das pessoas, “sucesso” é um conceito bem simples, e pode ser medido pela sua capacidade econômica, além, claro, do modo como você é visto pela sociedade. E a vida, ao que parece, é nada mais do que uma grande busca pela honra, pela glória, pelo júbilo e pelo fucking sucesso.

Acontece na sua vida profissional – são irrelevantes seu talento e suas realizações enquanto você continuar morando num barraco enlameado e o único rei que você conhecer de perto for um urubu. O mundo profissional – lhe foi dito pelos Grandes Profetas nos Outdoors – é uma arena gigantesca, onde seres humanos devem, obrigatoriamente, se degladiar para atingir a glória. Só pode haver um, já disseram em Highlander.

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Também é assim nas relações pessoais: todos sabem que é burrice desperdiçar valiosas e não-renováveis doses de amor, por exemplo, caso não haja nenhuma garantia de retorno. Até a sua estúpida relação com seus deuses é assim! “Faço o bem em troca de um apartamento no Paraíso, com vista pro mar, mobiliado com itens de ouro e povoado por concubinas virgens que obedeçam o meu comando.

Nos últimos tempos, a busca pela segurança tem ultrapassado os limites do bom senso de tal modo que nós, cidadãos comuns, nos transformamos em criaturas covardes, incapazes de dar novos saltos sem uma corda para nos segurar. Nós dizemos “eu não voto, não confio em governos” porque não podemos sustentar a chance de estarmos errados. Um assassino que falhe, no fim das contas, não deveria esperar por qualquer pagamento.

Percebam, no entanto, caros muppets, que status social e poder de compra nada tem a ver com merecimento. Nunca tiveram. Reis eram reis porque nasceram assim -e príncipes mantém o seu “sangue real” independente de qualquer estupidez, como, digamos, se vestir de nazista em festas da high society.

No fim das contas, é completamente idiota dizer que “tal pessoa MERECE” mais ou menos dinheiro pelo que faz. Ela simplesmente tem ou não. O poder de compra e de troca se move através de acordos, e nós, nesse ponto, somos todos mercenários. Se essa história de merecimento existisse, eu deveria ganhar milhões todos os dias só por aturar vocês, pessoas de bem.

Só me façam um favor e não tentem justificar suas ações com o uso da enferma moralidade. Eu ofereço meus serviços por um punhado de moedas; você o faz por títulos imobiliários no pós-vida. Alguns gostam de se vender por preços mais baixos, que posso eu fazer?

Quanto a mim, fico feliz em erguer meu barracão na Avenida Inferno. Por um terreno lá, eu não pago com tempo – o que me sairia muito caro -, e, como já dizia um certo garoto, o que eu faço, faço porque gosto.

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