Na pista pra negócio

 

pista-libre-principal-59122

Depois de uma semana intensa e desgastante, finalmente chega a noite de sexta-feira: hora de tocar na balada e – por que não? – ceder às tentações da carne.

Era uma festa particular muito bem organizada (leia-se: open bar), repleta de mané, mas, em contrapartida, carregada de gostosa.

Depois de duas horas bebendo profissionalmente rum e schweppes citrus, é finalmente chegada a hora do laboro.

O show começa, o som está bem mais ou menos, o mesário é um gordinho que empunha um pastel de carne-de-sol enquanto a microfonia rola solta. “Cerveja para a banda, por favor!

O tempo vai passando, o pastel tamanho gigante finalmente acaba, o som melhora, quatro cervejas vão goela abaixo, meu estado piora, ou não, dependendo do ponto de vista.

Final da apresentação, em meio à fumaça de gelo seco e luzes feéricas, eis que jogam um bilhetinho: “olá, gostaria de falar com você. Estou com uma blusa branca e saia drapeada”.

Acaba a apresentação, desço do palco, vou ao bar pegar uma dose de vodka e aproveito para procurar a moça. Procuro, procuro e procuro…nada! Até que me dou conta: “mas que porra é saia drapeada?!”

Vodka vem, lucidez vai, a garota finalmente aparece e se apresenta. O nome é Paula, o cabelo é moreno, as coxas não são tão grossas, mas os peitos são grandes, bem grandes. Aliás, foi inevitável pensar como teria facilitado minha vida se tivesse escrito no bilhete: “Estou de blusa branca e tenho peitão… um belo peitão”. Teria achado tão mais rápido!

Enfim, meia hora depois, papo vai, papo vem, “deixa que eu te levo em casa”.

Dentro do veículo, pegação rolando firme e meu carro balança tanto que, do lado de fora, devia estar parecendo uma cabine de animação 6D. Hora de sair de lá.

Passeando pela cidade, Paulinha se antecipa: “Eu tô com um negocinho aqui que você vai gostar, mas para fazer efeito quando a gente chegar no motel, tenho que passar já agora.” E então a jovem retira da sua bolsa uma pomada, passa nos dedos indicador e médio, mete a mão por dentro das pernas e, como se não fosse o bastante, ainda fecha os olhos e morde os beiços. Leitoras, sintam o quilate da moçoila!

Detalhe que estava, de fato, rumo àquele lugar já sabido, mas, obviamente, não havia anunciado…nem deu tempo!

Pomada passada antecipadamente, chegamos ao motel.

Começa o ato, Paulinha dá um grito tão agudo que só faltou quebrar o espelho do teto, e, então, manda: “Você tá sentindo?”

Não muito certo do que ela estava falando, não respondo nada, até que ela insiste: “Não tá sentindo bem apertadinho? É esse o efeito da pomadinha.”

Ainda sob efeito daquela salada de álcool, quase respondo: “Acho que sua pomadinha está vencida, meu bem!”, mas me segurei e dei uma risada.

– Tá rindo de quê?

– Nada não, nada não…

Acaba tudo, deixo Paulinha em casa, ela me dá seu telefone e faz aquela velha pergunta:

– Você vai me ligar?

– Vou, claro que vou…

Nada contra mulheres que ousam na cama e tem a piriquita foló, mas usar toda a sua artimanha sexual no primeiro ENCONTRO, mostrar que anda com uma pomada firmadora bucetal na bolsa e, além de tudo, passar a parada na minha frente, dentro do meu carro, naquelas circunstâncias, passa dos limites da ousadia… é vadiagem baixa!

A expressão “vadia na cama” deve ser interpretada com bom senso. Sexo está, sim, ligado à intimidade. Se você não tem intimidade com o outro, não saia liberando todos os orifícios de uma vez.

Meu amor, dê, mas dê com calma! Mostre aos poucos as cartas que você tem na manga. Deixe a platéia querendo mais!

Naquela altura, sinceramente, era voltar para festa e torcer para que não tivesse acabado a bebida.

É isso, talvez eu ligue quando não tiver absolutamente nada melhor para fazer.

CLASSIFIQUE ESSE POST: O que achou?

2 comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *