A História de Amor da puta e seu cliente

A História de Amor da puta e seu cliente

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Terminou o noivado havia meses e saiu de casa determinada. Agora, caminhando pela calçada, não há mais como desistir. Entre medo e desejo, vive sua fantasia: ser puta em São Paulo.

Depois de algum tempo, um carro pára, mas ela não gosta do aspecto do homem. Dizem que não se pode escolher. Bobagem. Basta jogar o preço lá pro alto. Ele não topa e segue adiante. Mais dois param e ela faz a mesma coisa. Puta não pode escolher? Ela ri…

Agora, sim, chega um que a atrai. Não está nisso pela grana, quer esquecer o noivo que desistiu de tudo. Aliás, ficar noiva sempre foi uma cafonice exigida pelo pai. O mesmo pai que exigiu festa de debutante, coisa que aceitou por conta da viagem a Miami integrada ao pacote. Tudo cafona, claro, mas àquela altura valia a pena.

E lá estava o objeto de sua fantasia: carro bom, homem bonito e cheiroso. Conversam sobre o preço e ela, sem querer, deixa escapar o valor alto. Ele ri, acha estranho, mas sem pechinchar acaba topando. Deve ser rico, ela pensa. E vão ao motel. Na portaria, ele sugere a suíte mais cara. Tudo muito bom para ser verdade.

Boa, mesmo, é a noite que segue. Ao contrário da premissa lógica, mas seguindo a lenda urbana da brasilidade, ela é uma puta que goza. E muito, durante a noite em que deveria única e tão-somente agradar a quem lhe pagou; mas, justiça seja feita, satisfazer a mulher também é parte do prazer masculino.

Dormem e acordam juntos. Ele então diz ter sido a melhor noite de sua vida, algo inesquecível, tal e coisa. Ela se lembra de que é uma máxima do mundo masculino: todos dizem isso a todas as putas, em seguida ele dirá: “por que você não sai dessa vida?”. Claro, ele diz.

Ela não concorda, fala das contas a pagar, alega não acreditar na proposta, sugere que ele diz isso a todas, entre outros argumentos. Mas, diante da persistência, ela propõe que se encontrem mais e mais vezes, dando-lhe a chance de convencê-la. Ela também gostou dele.

E assim acontece. Ao menos duas vezes por semana, eles se encontram, sempre no mesmo motel. E, em todas as vezes, ele paga pelo serviço, pelo táxi, por tudo; o mesmo preço altíssimo. Isso acontece durante quase cinco meses, até que ela o chama para um jantar, e esse será o primeiro encontro fora do ambiente padrão.

Após a sobremesa, ela conta a história inteira. Em princípio, incrédulo, ele só muda de opinião quando ela entrega um presente. É uma caixa com todo o dinheiro que ele pagou , tudo. São todas as notas num pacote devidamente embrulhado e, além disso, uma carta apaixonada.

É a forma que ela encontrou para, finalmente, dizer que está também apaixonada e enfim aceita a proposta.

Ambos se emocionaram e ele, ainda atônito, apenas pede para pensar um pouco, levando consigo o pacote. Vai pra casa, avisa que ligará para saírem. Enfim, viverão uma vida um pouco mais normal. Ela entende perfeitamente e também volta.

Começarão, afinal, uma história de verdade.

No carro, ele só não se sente menos idiota porque, no fim das contas, está com o dinheiro todo em suas mãos. Sua grande tara era conquistar uma puta, fazer uma garota de programa largar “essa vida”.

Mas o que acontece? Por um azar desgraçado, passou todo esse tempo com uma puta “de mentira”, ou o que quer que fosse aquilo. Em vez de ser o malandro de suas fantasias, foi mais uma vez um grande otário, e dessa vez enganado por uma “não puta”.

O pior de tudo – ou melhor? – é que nem estava apaixonado. E agora, por sinal, nutria era uma raiva sem tamanho por aquela mulher. Muito embora soubesse que ela, no fundo, não tinha tanta culpa.

Ainda assim, não vai mais ligar para ela. Perdeu a graça.

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